Wednesday, February 27, 2008 10:09 PM

Faz bastante tempo que não falo sobre processos e metodologias, tenho dedicado mais tempo para o conteúdo técnico do blog. Porém, vou interromper o jejum para falar de um assunto que toma cada vez mais espaço em grupos de discussão e artigos e que me interessa bastante: A relação entre metodologias ágeis e certificações de processos, como CMMI e Mps.br.

Interesso-me primeiro porque não é à toa que este assunto ganha volume. Existe uma demanda comercial crescente para adquirir certificações. Segundo porque, já que é uma realidade, espero que esta mescla se dê da melhor forma possível para as empresas.

Antes, porém, gostaria de reafirmar que acho isto triste. Afirmar que uma empresa certificada é automaticamente melhor que outra não certificada, é uma grande falácia. O CMMI, e seu irmão tupiniquim, Mps.br, buscam a melhoria contínua do processo e, indiretamente, a melhoria da qualidade do produto final. No entanto, este relacionamento é indireto e incerto. Qual é exatamente este coeficiente? Quanto devo investir no meu processo para alcançar uma desejada qualidade de produto?

Mas voltando ao assunto principal, é possível alcançar as exigências das certificações sem comprometer sua metodologia ágil? Sinceramente não sei, mas acho improvável. Ambos buscam resolver os mesmos problemas, mas os princípios e as bases que os suportam são divergentes.

Artigos sobre o assunto, sejam teóricos ou estudo de casos, são uma interessante fonte de informação para empresas interessadas em “agilizar” seu processo certificado ou certificar seu processo ágil. Eu já li alguns destes artigos entre eles Scrum and CMMI Level 5: The Magic Potion for Code Warriors, cujo um dos autores é nada mais que Jeff Sutherland, e Utilizando Metodologias Ágeis Metodologias Ágeis para atingir para atingir MPS.BR nível F na MPS.BR nível F na Powerlogic, publicado na 3ª edição da revista Visão Ágil.

O que sinto falta em todos estes artigos que li até hoje foi de uma análise do ponto de vista dos princípios ao invés das práticas. Afinal, as práticas são implantadas sempre observando os princípios definidos (leia aqui para mais detalhes). Sem princípios e objetivos claros não é possível estabelecer um conjunto de práticas consistentes, que se complementam e se fortalecem.

É muito fácil adaptar, flexibilizar ou até “entortar” as práticas para atingir os objetivos da certificação. No final você tem basicamente as mesmas práticas, umas um pouco alteradas, algumas novas, outras deixadas de lado. Por tudo isto, analisar o resultado do ponto de vista das práticas é como dizer: “bom, as se a maior parte das práticas sobreviveu, então continuo alcançando meus objetivos”.

Seria muito importante analisar o processo final do ponto de vista dos princípios e objetivos inicialmente definidos. Até que ponto o novo conjunto de práticas me ajuda ou atrapalha a atingir aqueles objetivos e obedecem aqueles princípios que foram propostos?

Por exemplo, de que adianta ter sprints entre 15 a 30 dias se ao final de cada sprint não tenho uma versão pronta para produção? Ou se esta versão não é utilizada em cenários reais para que o feedback do cliente/usuário e seja capturado?

Se medirmos os princípios, veremos que o feedback constante e freqüente dos clientes não está sendo alcançado. O mesmo não acontece se olharmos para as práticas.

Afinal de contas, tudo vale nas metodologias ágeis, contanto que você continue buscando melhorar o processo para alcançar os princípios e objetivos estabelecidos.

Comments

No comments posted yet.
Post Comment
Title *
Name *
Email (never displayed)
Website
Comment * (Allowed tags: blockquote, a, strong, em, p, u, strike, super, sub, code)  
Please add 4 and 7 and type the answer here: